Sombra e Luz ⥁ Shadow and Light

Ludmila Queirós ✳

Sombra e Luz ⥁ Shadow and Light

Ludmila Queirós ✳

Instalação 
SINOPSE
Esta Gente 
Esta gente cujo rosto / Às vezes luminoso
 / E outras vezes tosco  / Ora me lembra escravos  / Ora me lembra reis  / Faz renascer meu gosto  / De luta e de combate  / Contra o abutre e a cobra  / O porco e o milhafre  / Pois a gente que tem  / O rosto desenhado  / Por paciência e fome  / É a gente em quem  / Um país ocupado  / Escreve o seu nome  / E em frente desta gente  / Ignorada e pisada  / Como a pedra do chão  / E mais do que a pedra  / Humilhada e calcada  / Meu canto se renova  / E recomeço a busca  / De um país liberto  / De uma vida limpa  / E de um tempo justo” 
(Andresen, 2014, p. 38)
“LIMBO” surgiu de uma reflexão sobre a questão da identidade e de Espaço, do próprio Ser no Outro e do Outro em Si mesmo. Quem se é, como nos vemos e que lugares ocupamos.
 “é pela escala de uma vida inteira que o si procura sua identidade: entre as ações curtas, as quais se limitam nossas análises anteriores sob o constrangimento da gramática das frases de ação, e a conexão de uma vida” (Ricoeur, 1991, p. 139)
Qual a nossa responsabilidade no Mundo? Quem é, de facto, esta “Gente”, falada por Sophia de Mello Breyner, que se cruza em cada olhar de quem vê e de quem é visto? Existe-se se não se for olhado? E de que forma as fronteiras entre os espaços que vivemos são ténues, frágeis, mas carregam um véu de invisibilidade intenso e muitas vezes intransponível.
Existem “ilhas” dentro das cidades, em cujas as vivências são de outra natureza, todavia, da mesma natureza de todos. A possibilidade de transpor essas fronteiras implica muito mais do que estar noutro local, mas sim, ver esse outro local, ver essa “essa gente”. Locais abandonados, tal como muitos dos que os ocupam. Abandonados pela sociedade e pelo olhar de quem passa.