LIMBO
[Fotografia | Aveiro (Portugal) | 2017]

Sinopse
“Esta Gente 
Esta gente cujo rosto 
Às vezes luminoso
E outras vezes tosco 
Ora me lembra escravos 
Ora me lembra reis 
Faz renascer meu gosto 
De luta e de combate 
Contra o abutre e a cobra 
O porco e o milhafre 
Pois a gente que tem 
O rosto desenhado 
Por paciência e fome 
É a gente em quem 
Um país ocupado 
Escreve o seu nome 
E em frente desta gente 
Ignorada e pisada 
Como a pedra do chão 
E mais do que a pedra 
Humilhada e calcada 
Meu canto se renova 
E recomeço a busca 
De um país liberto 
De uma vida limpa 
E de um tempo justo” 

(Andresen, 2014, p. 38)
“LIMBO” surgiu de uma reflexão sobre a questão da identidade e de Espaço, do próprio Ser no Outro e do Outro em Si mesmo. Quem se é, como nos vemos e que lugares ocupamos.
 “é pela escala de uma vida inteira que o si procura sua identidade: entre as ações curtas, as quais se limitam nossas análises anteriores sob o constrangimento da gramática das frases de ação, e a conexão de uma vida” (Ricoeur, 1991, p. 139)
Qual a nossa responsabilidade no Mundo? Quem é, de facto, esta “Gente”, falada por Sophia de Mello Breyner, que se cruza em cada olhar de quem vê e de quem é visto? Existe-se se não se for olhado? E de que forma as fronteiras entre os espaços que vivemos são ténues, frágeis, mas carregam um véu de invisibilidade intenso e muitas vezes intransponível.
Existem “ilhas” dentro das cidades, em cujas as vivências são de outra natureza, todavia, da mesma natureza de todos. A possibilidade de transpor essas fronteiras implica muito mais do que estar noutro local, mas sim, ver esse outro local, ver essa “essa gente”. Locais abandonados, tal como muitos dos que os ocupam. Abandonados pela sociedade e pelo olhar de quem passa.